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AS GUERRAS DA INDEPENDÊNCIA

Publicado: Terça, 26 de Junho de 2018, 16h41 | Última atualização em Terça, 04 de Dezembro de 2018, 17h27 | Acessos: 543
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1. A Batalha de Pirajá ( 08 NOV 1822)

 O General Pedro Labatut tinha estabelecido seu quartel-general no Engenho Novo (28 de outubro) e acabava de tomar o comando do Exército Brasileiro, que sitiava a cidade da Bahia, ocupada pelas tropas do General português Madeira.

No dia 3 de novembro, Labatut reforçou as tropas sitiantes, colocando em Itapoã a Brigada do Coronel Gomes Caldeira e, em Pirajá, a do Major (depois coronel) José de Barros Falcão de Lacerda. Esta última tinha destacamentos no Engenho Cabrito, no Coqueiro, em Bate-Folha e em outros pontos. Na manhã de 8, quase todas as posições dos brasileiros foram atacadas ou ameaçadas, seja por terra, seja por mar.

O combate principal deu-se em Pirajá, onde Barros Falcão, protegido por algumas obras, repeliu três ataques do Coronel João de Gouveia Osório, e ocasionou-lhe grandes perdas, incomodando vivamente a sua retirada. Com o Coronel Gouveia Osório, estavam os 1º e 2º Batalhões da Legião Constitucional Lusitana, os 4º e 12º de Infantaria, e um contingente de Artilharia; Barros Falcão tinha sob o seu comando 1.300 homens dos seguintes corpos: Batalhão de Pernambuco (Major Joaquim José da Silva Santiago), a que estavam agregados os milicianos do Penedo; um Batalhão de Milicianos da cidade do Rio de Janeiro (Capitão Guilherme José Lisboa); a Legião de Caçadores da Bahia (Tenente Alexandre Gomes de Argolo Ferrão, depois General, e Barão de Cajaíba); o Corpo de Henrique Dias (Major Manuel Gonçalves da Silva); meia companhia do 1º Regimento de Infantaria da Bahia (Alferes Francisco de Faria Dutra) e uma Bateria de Artilharia do Rio de Janeiro.

É difícil conhecer com exatidão as perdas dos combatentes, sendo muito contraditórios entre si os documentos e as informações dos brasileiros e portugueses. O General Labatut atribuiu aos nossos então adversários a perda de 200 mortos (ofício de 8 de novembro), mas em outro documento (ofício de 9 de novembro) disse 633.

Em uma carta da Bahia, publicada no suplemento nº 107 do periódico fluminense O Espelho, folha ministerial (número de 26 de novembro de 1822), lê-se que os portugueses tiveram 375 mortos e feridos, entrando 221 destes para os hospitais.

O cronista Acioli diz que a perda dos nossos contrários foi de 80 mortos e igual número de feridos. Segundo o jornal português Idade d’Ouro, da Bahia, foram 30 os feridos, e houve poucos mortos; segundo o General Madeira, os seus mortos, feridos e extraviados foram 64 e que de parte a parte se combatera com o maior denodo ; segundo o Diário do Governo, de Lisboa, foram mais de setenta .

 

2. A Batalha do Jenipapo (13 MAR 1823)

 Embora tenha ocorrido num único dia – 13 de março de 1823 –, junto do riacho Jenipapo, na vila de Campo Maior, o confronto foi dos mais violentos. E também teve um papel importante para garantir a Independência e manter a unidade política do Brasil. Após o 7 de setembro, que obteve a independência da Região Sul, a Corte portuguesa pretendia assegurar pelo menos a parte norte do Brasil como Colônia.

  A batalha foi o resultado de embates entre o poder português e a população sertaneja piauiense, que se uniu a cearenses e maranhenses a fim de expulsar do Piauí o major João José da Cunha Fidié (?-1856), comandante das Armas e governador da capitania. Fidié havia sido enviado pelo rei de Portugal, D. João VI, para garantir a manutenção do sistema colonial e impedir a Independência.

 A participação da população foi uma marca dessa batalha. Mais de 2.000 sertanejos de todas as classes sociais – fazendeiros, oficiais militares, vaqueiros, lavradores, artesãos, escravos, roceiros – formaram uma multidão de voluntários armados de instrumentos do trabalho na roça e de caçadas, além dos domésticos e agrícolas, como facões, enxadas, foices, machados. As mulheres também ajudaram, arrecadando fundos para reunir um exército guerrilheiro.

  Do outro lado, as tropas portuguesas, comandadas pelo major Fidié, eram compostas, em sua maioria, de mercenários, somando entre 1.600 a 1.800 homens de Cavalaria, Fuzilaria, Infantaria, disciplinados e treinados, bem equipados e armados, com 11 peças de artilharia, um canhão e lançadoras de granadas.

  O experiente major, que havia lutado contra as tropas de Napoleão na invasão de Portugal em 1807, voltava de Parnaíba, no litoral do Piauí, onde causara pânico devido à violenta repressão ao movimento de adesão ao grito do Ipiranga. Ao saber que os revoltosos se concentravam no município de Campo Maior, utilizou uma estratégia fatal contra eles: enviou um grupo de vanguarda que os guerrilheiros acreditavam ser o exército inimigo inteiro, e por isso atacaram com todas as forças. Esse primeiro combate, conhecido como “batalha do Jacaré”, foi seguido pelo confronto em outro riacho.

  Às margens do Jenipapo, o embate foi terrível e brutal, corpo a corpo, das nove da manhã às duas da tarde sem nenhuma interrupção, e foi marcado por cenas de extrema violência de ambos os lados. O confronto foi corpo a corpo, com combatentes degolados de ambos os lados, luta corporal, pisoteamento pelos cavalos das tropas de Fidié, feridos se contorcendo de dor, mortos espalhados pelo campo de batalha, sem serem enterrados.

  Ao final da luta, o cenário da batalha ficou repleto de armas, munições, peças de artilharia, mortos e feridos de ambos os lados. O número de baixas não é preciso porque não houve contagem. Do lado português, foram  aproximadamente 60 feridos e cerca de 20 mortos, e não houve prisioneiros; do lado dos brasileiros, em torno de 500 prisioneiros e mais de 200 mortos e feridos. Fidié enterrou alguns dos seus mortos logo depois, em cinco sepulturas, mas muitos foram deixados a céu aberto.

  Devido ao seu poderoso exército, o major ganhou a batalha, mas perdeu a guerra da independência graças às táticas de guerrilha dos sertanejos: após o combate do Jenipapo, num assalto de surpresa ao acampamento militar, eles se apoderaram dos armamentos e da munição, de dinheiro e bagagem do comandante português, e cercaram o caminho para Oeiras, a capital da província, que já tinha aderido à Independência no mês de janeiro.

  Diante dessa situação e enfrentando deserções constantes, que reduziram consideravelmente suas tropas, o major Fidié se viu forçado a se retirar do Piauí. Levantou acampamento e atravessou o Rio Parnaíba para o Maranhão, refugiando-se na cidade de Caxias, onde buscou reforços militares e recursos financeiros. O Maranhão foi literalmente invadido, e após 15 dias de um audacioso cerco à cidade de Caxias pelas forças independentes de aproximadamente 6.000 homens do Piauí, do Maranhão e do Ceará, ocorreu o combate no Morro das Tabocas, com a rendição do major Fidié, faminto e desarmado. Preso, foi enviado para o Rio de Janeiro e depois para Portugal, onde foi recebido como herói.

  A oficialização da independência no Piauí, Ceará e no Maranhão ocorreu em 6 de agosto de 1823, por uma Junta Militar das três capitanias.

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